Cada alemão joga fora, em média, 80 quilos de alimentos por ano. Uma plataforma recém-lançada na internet tenta mudar essa realidade, incentivando a partilha de mercadorias que, de outra forma, terminariam no lixo.
O homem é uma máquina de jogar coisas fora. A maioria das pessoas cozinha em grandes quantidades, acumula alimentos para o futuro incerto, compra demais e não reaproveita sobras. Cada alemão joga fora cerca de 80 quilos de alimento por ano. A nova plataforma online foodsharing.de tem como objetivo levar as pessoas a repensar o problema. A nova tendência é compartilhar alimentos com estranhos.
A economia da partilha está em ascensão, seja em se tratando de carros, bicicletas, imagens e até mesmo escritórios. Pensando que essa tendência pode também ser estendida para os alimentos, os criadores do foodsharing.de lançaram a plataforma há pouco mais de um mês. Um dos fundadores da ideia é o renomado documentarista Valentin Thurn.
Seu filme Taste the Waste, de 2011, aborda os problemas de uma sociedade acostumada a viver em abundância e que não consegue mais reconhecer o valor de uma maçã, por exemplo. "Quando o filme foi lançado nos cinemas, muitas pequenas padarias nos ligaram para nos perguntar o que poderiam fazer com os muitos pãezinhos que não são vendidos", lembra Thurn. Assim nasceu a foodsharing.de.
Thurn, fundador do projeto, planeja desenvolver aplicativo para celular
Todos, sejam indivíduos ou empresas, podem simplesmente se registrar online e criar uma cesta de alimentos, descrevendo os itens que não pode mais usar e que gostaria de oferecer a outros de graça. Com ajuda de um mapa interativo, é possível saber que alimentos há para serem recolhidos e em que cidade. Em seguida, é só trocar e-mails e combinar um ponto de encontro para que a troca se complete.
Quem não deseja convidar estranhos para sua casa ou estabelecimento, pode deixar a mercadoria em um dos chamados foodsharing-hotspots. Soa moderno, mas trata-se apenas de armários comuns no meio da cidade, em que as pessoas podem pegar e depositar alimentos.
"Se tenho que atravessar a cidade só para pegar um quilo de batatas, o sentido ecológico da coisa se perde", destaca Thurn. "Por isso, queremos ter dez vezes mais membros do que agora, para que a coisa possa, talvez, funcionar entre vizinhos." A meta parece ser possível. Afinal, após quatro semanas de vida, a plataforma já contava com mais de 5 mil membros.
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